quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Lançamento

Não sei se falo hoje da minha felicidade ou da minha perplexidade diante de alguns acontecimentos globais. Vamos começar pela felicidade: acabo de falar ao telefone com o vereador Celso Fanaia Teixeira ( o professor Tetinho) que está promovendo o lançamento em Cáceres do meu livro "Cantos de amor e saudade", publicado pela Editora Entrelinhas. Será no próximo dia 27, às 20h, na Câmara Municipal.
Por que fico tão feliz? Porque voltarei a Cáceres, cidade que aprendi a amar e onde vivi por quase 15 anos; porque vou rever amigos queridos; porque terei a oportunidade de mais uma vez reverenciar a imagem de uma das pessoas mais lindas e íntegras que conheci (d. Estella, personagem principal do meu livro) e também de promover o meu trabalho.
Acho que são motivos suficientes para ficar feliz. É muito gostoso sentir o carinho e a empolgação de Tetinho, professor da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e ex-secretário municipal de Educação de Cáceres, com quem trabalhei na época em que fui assessora de comunicação da Prefeitura local. À medida que a gente vai amadurecendo passa a valorizar mais esses momentos.
Quanto à minha perplexidade, infelizmente, as suas causas não deixarão de existir tão cedo. Vou deixar para comentar o tema em outra oportunidade.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

No front cuiabano ...

Hoje quero comentar duas notícias de política - ou seria justiça? Ou seria polícia?
A primeira é animadora: a Câmara Municipal de Cuiabá cassou ontem o mandato do vereador Lutero Ponce, (PMDB) por quebra de decoro parlamentar. Segundo o jornal Diário de Cuiabá, "após 90 dias de trabalho a Comissão Processante, criada para apurar o suposto desvio de R$ 7,5 milhões do legislativo cuiabano, deu parecer favorável à cassação". Detalhe: as fraudes teriam ocorrido no período em que Ponce presidia a Câmara. Ainda de acordo com o diário, ele foi o segundo vereador a ter seu mandato cassado na história da Câmara Municipal de Cuiabá e isso ocorreu três meses após a cassação de Ralf Leite (PRTB) - aquele que se envolveu com um travesti menor de idade.
Pela primeira vez, desde que moro em Cuiabá há seis anos, começo a botar fé na Câmara Municipal e pretendo agora acompanhar mais de perto os trabalhos do legislativo cuiabano. Ontem, quase atendi ao convite enviado por email para participar de uma vigília cívica em frente à Câmara por causa da sessão que julgaria Lutero Ponce. O relator do processo foi o vereador Lúdio Cabral (PT), meu candidato nas últimas eleições.
A segunda notícia é desalentadora, foi veiculada no portal Terra e replicada pelo blog O Filtro: a justiça proibiu dois blogs cuiabanos de opinarem sobre os processos contra o atual presidente da Assembleia Legislativa, José Riva (PP), contra quem correm - pasmem! - 92 ações por improbidade administrativa e 17 ações criminais. Os blogs censurados pertencem à economista Adriana Vandoni e ao jornalista Enock Cavalcanti. Riva é uma espécie de "imperador" no Nortão mato-grossense e há anos vem se perpetuando no poder, apesar de tantas acusações.
É por essas e outras que tenho tanta dificuldade de convencer minhas filhas de 17 e 19 anos que a política é coisa séria.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O mundo do possível

Acabo de receber mais evidências de que a Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, que acontecerá em Copenhague (Dinamarca), em dezembro, foi esvaziada. De acordo com nota publicada pelo blog O Filtro, um acordo global com metas assumidas pelos diversos países participantes de redução de emissões de gases de efeito estufa não será possível, por enquanto. A maioria dos países está mais preocupada em não barrar a retomada do crescimento econômico. Ou seja, o meio ambiente que se dane. Aquecimento global, derretimento da calota polar, secas, enchentes, tudo isso deve ser esquecido em nome da (re)aceleração da economia.
O que me entristece é ver que muitas dessas questões são usadas apenas como instrumento de marketing. Fica a constatação mais uma vez de que o que move o mundo é a grana ("Money makes the world go around" - lembram-se do musical "Cabaret"?) Alguma dúvida disso?

domingo, 15 de novembro de 2009

Bom demais!


Parecia até sonho: eu na Chapada dos Guimarães ouvindo música instrumental da melhor qualidade e ainda por cima de graça!
Quem foi para Chapada dos Guimarães neste fim de semana certamente não se arrependeu e teve o privilegio de presenciar o nascimento de um evento que promete ter vida longa. O 1º Festival da Jazz de Chapada dos Guimarães começou com pé direito.
Na primeira noite, sexta-feira, chegamos à rua dos restaurantes por volta de 20h, horário previsto para o início da programação e tinha pouquíssima gente nas cadeiras colocadas diante do palco. Mais tarde, o curador do festival, o contrabaixista Ebinho Cardoso, me contou que também se preocupou se o público viria prestigiar o evento. Ainda bem que veio. No sábado, então, veio muita gente de Cuiabá para assistir a um festival que já nasceu grande, incrivelmente bem organizado, mas com aquele sabor de intimidade que tanto convém ao jazz. Quase todos os músicos que se apresentaram fizeram questão de conversar com a plateia, destacar o nome de Ebinho, desejar sucesso à iniciativa e falar de seu prazer de estar tocando ali.
E foi isso que todo mundo passou: muito prazer de estar tocando um tipo de música de público ainda restrito, principalmente no interior do país. E olha que o 1º festival de jazz da Chapada reuniu muitas feras: foram três apresentações diferentes por noite - a quantidade ideal para que o público pudesse absorver o máximo daquela oportunidade rara.
A primeira noite começou com a dupla Nélson Faria, na guitarra, e José Namen, no teclado. Eles apresentaram alguns temas clássicos do cancioneiro popular como "Chão de estrelas", em interpretações bem suingadas e com excelente domínio da linguagem jazzística. Em seguida, o clima esquentou com o Celso Pixinga Trio, formado pelo veterano contrabaixista Celso Pixinga e dois rapazes muitos jovens no teclado (Bruno Alves) e na bateria (Giba Faveri), e a noite terminou com o som alegre, vibrante e brincalhão do Galinha Caipira Completo de Brasília. A chuva que caiu e o nevoeiro típico da Chapada deram um toque especial à noite.
A segunda noite começou suave com o som dos irmãos Eduardo e Roberto Taufic. Com 10 anos de diferença, os dois irmãos mostraram um entrosamento fantástico. Eduardo, o mais jovem, mora em Natal, Rio Grande do Norte, e Roberto mora na Itália, mas conserva o sotaque nordestino. Apresentaram temas belíssimos como "Fotografia" de Antonio Carlos Jobim. Mais ou menos como na noite anterior, o jazz mais intimista da dupla foi sucedido por uma apresentação mais pauleira e autoral do saxofonista brasiliense Ademir Júnior, que tocou com três músicos mato-grossenses: o próprio Ebinho, o guitarrista Sidnei Duarte e o baterista Sandro Souza. Foi muito bom! Para fechar a noite, o jovem pianista David Feldman apresentou um trabalho que revive o som do lendário Beco das Garrafas, um dos templos da bossa nova no Rio de Janeiro. Ele tocou acompanhado de dois músicos da pesada: o baterista Márcio Bahia e o contrabaixista - cujo nome não me recordo lamentavelmente, mas vou procurar descobrir para registrar aqui - que chegou a tocar no Beco das Garrafas, em Copacabana.
As duas noites foram tão boas que, se me pedissem para escolher qual apresentação gostei mais, teria dificuldade para responder. Foi tudo tão harmonioso, tão agradável que só me resta agradecer o privilégio de poder ter assistido ao início de mais um festival de jazz (sem querer comparar, tive a sorte de ver nascer no Rio de Janeiro o Free Jazz Festival, nos anos 80) e torcer para que venham muitos outros.
Apenas uma observação: os restaurantes da "rua dos restaurantes" não parecem ter se preparado para o evento. O dono de um deles me disse que "não sabia que ia ter mesas na rua". Acho estranho porque eu, que vim de Cuiabá, já sabia que ia ter. Com isso, a gente tinha que ir até o balcão pagar pela bebida ou comida e optava por ir buscar o pedido em alguns minutos ou ficar horas esperando.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Vida e morte

Ao contrário da sexta-feira passada, quando chovia torrencialmente em Cuiabá e eu me angustiava com a viagem da minha filha caçula (que já voltou), hoje está um sol de rachar e estou animada com as perspectivas para o fim de semana por causa do festival de jazz em Chapada dos Guimarães.
Isso não impede que a gente se angustie com os temporais malucos que deixam pessoas desabrigadas em várias cidades do Brasil e que pode chegar por aqui a qualquer momento. Junte-se a essa possibilidade a dengue sempre presente, a gripe suína e o caos na saúde pública e pronto, temos uma receita de infelicidade e tragédia.
É impressionante como vida e morte andam tão próximas. Uma das minhas irmãs me contou esta semana que sua filha chegou para trabalhar num prédio do Centro do Rio, onde funcionam os serviços de uma imponente instituição pública federal, e uma funcionária tinha acabado de cair no poço de elevador e morrer. Minha sobrinha chegou a pensar que poderia ter sido ela caso tivesse chegado 20 minutos antes.
No mesmo dia vimos imagens impressionantes na TV da mulher, supostamente bêbada, que caiu nos trilhos do metrô nos EUA e conseguiu sair andando pois os espectadores da cena conseguiram parar o trem que se aproximava.
Isso nos leva àquela velha questão: cada um tem seu dia de morrer e, portanto, não vale a pena a gente esquentar? Ou tudo é imprevisível e ilógico mesmo?
Difícil de saber ... Nesses casos, ter fé ajuda muito.
Discussões à parte, quero aproveitar o espaço para divulgar o show dos amigos do grupo Alma de Gato que acontecerá neste domingo, no Teatro do Sesc Arsenal, em dois horários, às 18h30 e 20h30. Como já disse num artigo publicado no jornal Folha do Estado há uns dois meses, o grupo canta muito bem e é engraçado pra caramba. O grande desafio dos rapazes é equilibrar o aspecto musical com o cênico. Vale a pena conferir!

PS. Mal acabei de publicar esta postagem, recebi um email informando sobre a morte de um advogado de 67 anos, Allan Kardec dos Santos, diretor de uma das empresas de transportes mais conhecidas de Mato Grosso (a Tut), vítima de dengue hemorrágica. Segundo a família, a doença foi contraída em Cuiabá, mas o falecimento ocorreu no Hospital São Luiz, em Cáceres.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Dor e humilhação

Mais do que tentar explicar, quero tentar entender o caos instalado no setor da saúde em Cuiabá. Acabo de assistir novamente à reportagem da TV Centro América (afiliada da Rede Globo na capital mato-grossense) sobre a fila para cirurgias ortopédicas. A repórter Malu Prado entrevistou o secretário municipal de Saúde, o promotor, diretores de hospitais conveniados com SUS e pacientes. Juro que não consegui entender os motivos da fila (gigantesca), mas consegui me comover com a humildade de um porteiro entrevistado no Pronto Socorro de Várzea Grande (o de Cuiabá está em obras), que disse depender da "bondade" dos médicos e do poder público para ser operado, já que não tem dinheiro para pagar uma cirurgia.
A reportagem, se alguém se interessar, está disponível no site da TVCA (rmtonline.globo.com).
Ontem conversei informalmente com a responsável pela administração de um desses hospitais conveniados e perguntei por que o estabelecimento só dispõe de um ortopedista. para atender a tanta demanda por cirurgias numa cidade campeã em acidentes de trânsito. Ela me disse que ninguém quer trabalhar como ortopedista para o SUS para receber R$ 150 por uma cirurgia. Perguntei incrédula: "R$ 150?" Ela confirmou.
A mesma pessoa me contou o caso de um garoto de 15 anos que estava rodando há dias atrás de um diagnóstico para o seu problema. Ele conseguiu fazer um ultrassom e o resultado foi apendicite aguda. Conseguiu, por sorte, ser operado no hospital administrado por minha conhecida. E se não conseguisse? Quantos não têm a mesma sorte? Por ter sido operada de apendicite aguda este ano (por meu médico e com custos cobertos integralmente por meu plano de saúde), consigo imaginar o sofrimento e a angústia desse menino e de seus pais.
O que me dá mais raiva é ter que ver logo após o noticiário da TV a propaganda do governo Wilson Santos dizendo que nunca se fez tanto pela saúde em Cuiabá. Será que os responsáveis acham que o povo é idiota? É terrível porque as pessoas se vêem desamparadas no momento em que estão mais vulneráveis (com dor, machucadas). Gritar, xingar, espernear só vai reduzir ainda mais as chances de serem atendidas. É muito injusto.
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Imperdível!

Hoje mudei de sala no meu trabalho mais uma vez e mudanças me deixam meio dispersiva, por isso vou ser bem objetiva e apenas divulgar a programação do evento que vai acontecer a partir de depois de amanhã na Chapada dos Guimarães (a cerca de 62 km de Cuiabá).
Gente, vai ter festival de jazz! É bom demais pra ser verdade. Eu tinha ouvido falar desse festival há uns dois meses, mas depois não ouvi mais nada e achei que tinha dançado. Ontem recebi por email a programação (através da assessoria do jornalista João Negrão) e fiquei muito feliz. Fiquei mais feliz ainda quando soube que é tudo de graça e o curador do festival é o músico Ebinho Cardoso - uma garantia de qualidade e seriedade.
Na sexta-feira, a partir de 20h, apresentam-se José Namen e Nélson Faria e, em seguida, Celso Pixinga Trio e Galinha Caipira Completa. No sábado, a programação segue com Roberto e Eduardo Taufic, continua com Ademir Júnior Quarteto e se encerra com David Feldman. Tudo vai acontecer na "rua dos restaurantes". Dessa turma, já ouvi o trabalho de José Namen (mineiro radicado em Mato Grosso), do baixista Celso Pixinga (SP) e do saxofonista Ademir Júnior (de Brasília).
Maiores informações pelo blog www.chapadainjazz.blogspot.com